Citações e referências



Citações, chamadas e referências


A ciência é o esforço de produzir as informações mais rigorosas possíveis sobre determinado assunto, reunindo e sistematizando o que já se sabe sobre o tema. Por isso, os textos acadêmicos e científicos fazem diversas citações de outras fontes de informação, isto é, incorporam informações retiradas de outros textos, de vídeos e de sites.

As fontes de informação citadas em um texto são também chamadas de “referências”, no sentido de que o autor do texto faz referência a determinada fonte como base para uma afirmação que tenha feito.

Um texto que se baseia em diversas referências é considerado mais rigoroso do que um texto em que todas as ideias vêm somente do autor, pois nesse caso seria necessário confiar inteiramente no conhecimento dessa pessoa. Por outro lado, quando o texto é fundamentado em fontes de informação respeitadas, quer dizer, quando as ideias apresentadas estão baseadas em estudos anteriores já aceitos, a responsabilidade pelas afirmações é compartilhada com essas pesquisas anteriores. Dessa maneira, o leitor que já confia nas fontes de informação utilizadas, não precisa confiar cegamente no autor.

  Por isso, as referências são um dos fatores que tornam a ciência respeitável: elas permitem que os leitores confiram as fontes onde o autor conseguiu suas informações e tirem suas próprias conclusões. São elas também que garantem o caráter cumulativo da ciência, no sentido de que as pesquisas se baseiam em estudos anteriores, acumulando os avanços. Como disse Isaac Newton, “se eu vi mais longe, foi por estar sobre o ombro de gigantes” (WIKIPEDIA, 2022). De maneira muito adequada, esse é o lema do Google Acadêmico, o principal mecanismo de busca de artigos científicos. 

Para aprender a fazer citações, é preciso entender a relação entre citações, chamadas e referências. Uma citação é a indicação de que uma fonte externa de informação foi utilizada no texto. Essa fonte pode ser um livro, um artigo, um site, uma dissertação etc. A indicação de que uma fonte foi utilizada é feita por meio de uma “chamada”. A forma padrão de uma chamada é um parêntesis com o sobrenome do autor e a data do texto. Por exemplo, (MOREIRA, 2008). 

As chamadas têm esse nome porque “chamam” uma referência que está ao final do texto. A referência é a descrição detalhada da fonte que você usou (autor, título, ano de publicação, link etc.). No final dos artigos deve haver a seção chamada "referências" (ou "referências bibliográficas" ou "bibliografia"), que é uma lista de todas as fontes utilizadas durante o texto. As referências devem ser ordenadas por ordem alfabética do sobrenome do autor.  

Todas as fontes citadas devem estar nas referências e todas as referências devem ter sido citadas. Não basta mencionar uma fonte durante o texto e não incluir uma referência correspondente na seção de referências. Por exemplo, não basta dizer “De acordo com o IBGE, a inflação no mês de Março foi 0,28%”. Como o IBGE publica diversas pesquisas sobre inflação, o leitor não conseguirá chegar até a fonte que você consultou para elaborar seu texto. 

De maneira semelhante, não basta colocar uma fonte nas referências e não fazer nenhuma citação dela durante o texto, pois o leitor não conseguirá saber qual das informações foi retirada daquele texto. Se uma fonte foi importante para sua pesquisa, mas você está com dificuldades de fazer uma citação específica, faça uma citação indireta dizendo algo como “Para mais informações, consulte (MOREIRA, 2015)” ou “Uma análise mais detalhada desta questão é apresentada em (MOREIRA, 2015)”. 

Portanto, não se esqueça, todas as fontes citadas devem estar nas referências e todas as referências devem ter sido citadas.


Os quatro tipos de citação


As citações podem ser diretas ou indiretas. No primeiro caso, você usa as palavras do texto que você leu, colocando-o entre aspas. No segundo caso, você apresenta as ideias do texto, mas com suas próprias palavras. Em ambas é necessário fazer uma chamada (sobrenome e data). No entanto, nas citações diretas, é obrigatório indicar a página na chamada (p. ex., MOREIRA, 2015, p. 15). Nas citações indiretas, isso é opcional. 

Suponha que você está fazendo uma pesquisa sobre o mercado de “nano influenciadores”, os influenciadores digitais com menos de 10 mil seguidores. Você está lendo a reportagem “O que é Marketing de Influência e como ele pode ajudar a sua estratégia digital?” (SOUZA, 2018) e gostou do seguinte trecho sobre uma das vantagens desse tipo de estratégia:


Você tem duas opções para incorporar essas ideias a seu texto: copiar as palavras do texto (citação direta) ou apresentar as ideias dele com suas próprias palavras (citação indireta). No primeiro caso, é preciso colocar o trecho entre aspas. Por exemplo, “a grande sacada do marketing de influência é a segmentação do público. Impactar pessoas que já estão interessadas no nicho no qual a sua empresa atua é capaz de atalhar caminhos” (SOUZA, 2018, p. 1).

No segundo caso, a citação indireta, você apresenta as mesmas ideias, porém com suas próprias palavras. Por exemplo, uma das principais vantagens do marketing de influência é simplificar o processo de segmentação do público, pois o influenciador já atrai as pessoas interessadas no nicho em que sua empresa atua (SOUZA, 2018).

O terceiro tipo de citação são as citações diretas longas, aquelas com mais de três linhas, pois elas precisam de uma formatação especial. Elas são chamadas também de "citações diretas com recuo". Nessas citações, o trecho retirado de outro texto fica em um parágrafo separado, com letra tamanho 10, espaçamento simples e margem esquerda maior. Nesse caso, as aspas são dispensáveis. Por exemplo:

O quarto tipo de citação é uma situação que gera dúvidas, pois é o caso em que você precisa fazer uma citação de uma citação, isto é, quando você quer citar uma parte de um texto em que o autor que você está lendo está citando um terceiro texto. Suponha que você esteja lendo o texto (SILVA, 2020) e queira citar uma parte em que ele cita (FERNANDES, 2015). 

Na maior parte das vezes, basta citar o primeiro autor, pois ao lê-lo o leitor vai descobrir que aquela informação veio de outro lugar. No entanto, se a informação for muito importante para o seu texto ou se for muito controversa, é melhor você ler o texto que está sendo citado e fazer a citação dele diretamente (no exemplo acima, ler diretamente o FERNANDES, 2015). Isso é considerado mais rigoroso. Porém, pode ser que o texto não esteja disponível online, seja um livro caro ou esteja em uma língua que você não compreende. Nesses casos, usamos o termo apud.

O que você deveria fazer é uma chamada assim: (FERNANDES, 2015 apud SILVA, 2020). A palavra "apud" significa "de acordo com" em latim. Então, você está dizendo que aquilo foi dito por Fernandes de acordo com o que disse Silva. Note que a fonte mais antiga deve vir primeiro. 

Isso vale tanto para as citações indiretas quanto para as diretas. Nesse último caso, basta colocar aspas e indicar a página, por exemplo (FERNANDES, 2015, p. 10 apud SILVA, 2020, p. 23). Na sua seção de referências, coloque as duas referências, do Silva e do Fernandes. Para entender melhor, veja este vídeo e veja mais exemplos aqui.

Relembrando, a obrigação de fazer o apud existe apenas quando a ideia em questão é central para seu texto ou é muito controversa e o texto é de difícil acesso. Na maior parte dos casos, basta citar o primeiro autor.


Minha sugestão em relação às citações é: prefira sempre as citações indiretas, pois elas deixam seu texto mais fluido, mais leve. As citações diretas tendem a quebrar o ritmo do seu texto porque trazem um estilo de escrita diferente do seu. Isso vale principalmente para as citações diretas longas. No entanto, elas podem ser imprescindíveis para dar precisão em algum tópico importante, quando as palavras escolhidas são decisivas, como no caso de leis ou declarações de entrevistados. E, como dito acima, use a citação de citação (o apud) apenas quando for realmente necessário.


Os dois tipos de chamada 


No caso das citações indiretas, há dois tipos de chamadas: no final da frase, desconectadas dela, ou conectadas a ela, aparecendo no começo ou no meio da frase. No primeiro caso, o sobrenome do autor deve estar em caixa alta (isto é, com todas as letras maiúsculas). Isso não acontece no segundo caso. Veja os exemplos abaixo:

Ao final da frase: Uma das principais vantagens do marketing de influência é simplificar o processo de segmentação do público, pois o influenciador já atrai as pessoas interessadas no nicho em que sua empresa atua (SOUZA, 2018).

Como parte da frase: De acordo com Souza (2018), uma das principais vantagens do marketing de influência é simplificar o processo de segmentação do público, pois o influenciador já atrai as pessoas interessadas no nicho em que sua empresa atua.

No meio da frase: Uma das principais vantagens do marketing de influência, segundo Souza (2018), é simplificar o processo de segmentação do público, pois o influenciador já atrai as pessoas interessadas no nicho em que sua empresa atua.

Agora suponha que ao invés de apenas um autor, Ivan Souza, o texto tenha sido escrito por dois autores, Ivan Souza e Andreia Braga. As chamadas ficariam assim:

Ao final da frase: Uma das principais vantagens do marketing de influência é simplificar o processo de segmentação do público, pois o influenciador já atrai as pessoas interessadas no nicho em que sua empresa atua (SOUZA; BRAGA, 2018).

Como parte da frase (no início ou no meio): De acordo com Souza e Braga (2018), uma das principais vantagens do marketing de influência é simplificar o processo de segmentação do público, pois o influenciador já atrai as pessoas interessadas no nicho em que sua empresa atua.

Note que no caso da chamada desconectada da frase, os autores ficam separados por ponto e vírgula, enquanto que no caso da chamada que faz parte da frase os autores são separados por “e”. O mesmo aconteceria se houvesse um terceiro autor, por exemplo, Fernanda Almeida. No final da frase, a chamada seria (SOUZA; BRAGA; ALMEIDA, 2018) e a chamada conectada à frase seria Souza, Braga e Almeida (2018).

Porém, caso houvesse mais de três autores, seria necessário usar a expressão et al., a abreviatura da expressão et alli, que significa “e outros” latim. Nesse caso, a chamada desconectada seria (SOUZA et al., 2018), ao passo que a conectada seria Souza et al. (2018).

Por fim, voltando aos casos de dois e três autores, note que os sobrenomes não são apresentados em ordem alfabética. A ordem a ser seguida é a ordem de contribuição à pesquisa, com o autor que mais contribuiu vindo primeiro. Essa ordem é aquela que aparece no texto publicado pelos autores e que devemos seguir ao fazermos a chamada e a referência.    


As regras sobre como fazer citações, chamadas e referências nos trabalhos acadêmicos são elaboradas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O Manual de Normalização da Unifal (clique no link) é uma exposição detlhadas dessas regras, com diversos exemplos. As seções 7 e 9 são aquelas que mais interessam a essa disciplina (aqui está um vídeo que ajuda a entender como ele funciona). Leia com atenção e volte a elas sempre que tiver alguma dúvida. 

Observe os quatro trechos abaixo. Apenas o primeiro deles está de acordo com as normas da ABNT. Isso acontece porque as normas da ABNT são obrigatórias para todos os trabalhos acadêmicos no Brasil, mas as revistas científicas não são obrigadas a segui-las. Muitas vezes, elas preferem seguir alguma regra de formatação internacional. 

As principais diferenças nos casos abaixo em relação às normas da ABNT são as seguintes. O segundo trecho não usa caixa alta nas chamadas e utiliza o "e comercial" (&) entre sobrenomes. O terceiro exemplo usa notas de rodapé para apresentar as referências, enquanto o quarto apresenta as referências em notas ao final do texto (com cada número correspondendo a uma referência).

Os trechos acima foram retirados dos seguintes artigos: LEÃO, 2015; REZENDE et al., 2017; PEREIRA, 2013; LÖTSCH et al., 2018.


Modelos de referências


Atenção:


A estrutura básica das referências é a seguinte:

AUTOR. Título em negrito. Outras informações. Ano.

Aspectos que se repetem:


Artigos científicos

RIBEIRO, M. Preços de escravos em Campinas no século XIX. Revista História Econômica & História de Empresas, v. 20, n. 1, 2017.

DIAS, A.; TEIXEIRA, M. Gravidez na adolescência: um olhar sobre um fenômeno complexo. Paidéia, v. 20, n. 45, 2010.

SAPORI, L.; SANTOS, R.; MAAS, L. Fatores sociais determinantes da reincidência criminal no Brasil: o caso de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 32, n. 94, 2017.

BARROS, M. et al. Tendências das desigualdades sociais e demográficas na prevalência de doenças crônicas no Brasil, PNAD: 2003-2008. Ciência e Saúde Coletiva, v. 16, n. 9, 2011.

NOGUEIRA, M. Uma análise contextual das políticas públicas voltadas para as empresas de pequeno porte no Brasil. Texto para Discussão - IPEA, n. 2.233, 2016.

Livros

ARIELY, D. Previsivelmente irracional: como as situações do dia-a-dia influenciam as nossas decisões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

SILVER, N. O sinal e o ruído: por que tantas previsões falham e outras não? Rio de Janeiro: Intrínseca, 2013.

Capítulos de livro

ALVES, J.; CAVENAGLI, S. O Programa Bolsa Família e as taxas de fecundidade no Brasil In: CAMPELLO, T.; NERI, M. (Org.). Programa Bolsa Família: uma década de inclusão e cidadania. Brasília: IPEA, 2013, p. 233-246.

Trabalhos apresentados em eventos (congressos, seminários etc.)

ALMEIDA, M. et al. Planejamento financeiro de curto prazo nas pequenas e médias empresas de Sergipe In: XVI CONGRESSO DE CONTROLADORIA E CONTABILIDADE DA USP. Anais … São Paulo, 2016.

SOARES, V. Interpretação da função social da propriedade na CF/88, à luz dos fundamentos da socialidade, fraternidade e dignidade da pessoa humana. In: XVII CONGRESSO DO CONPEDI. Anais ... Brasília, 2008.

Monografias, dissertações e teses 

LASMAR, Y. A relação entre empresas e consumidores através das redes sociais: o social commerce da empresa Magazine Luiza. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia), Universidade Federal de Alfenas, 2021.

ESPINOZA, F. O impacto de experiências emocionais na atitude e intenção de comportamento do consumidor. Dissertação de mestrado (Mestrado em Administração), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2004.

CRUZ, B. O boicote no comportamento do consumidor. Tese de doutorado (Doutorado em Administração), Fundação Getúlio Vargas, 2013. 


Sites e textos em sites

GALHARDI, R. Faturamento de pequenas empresas subiu 6,9% em setembro. Exame, 2014. Disponível em: https://exame.abril.com.br/pme/faturamento-de-pequenas-empresas-subiu-6-9-em-setembro/ Acesso em:  22 de Junho de 2022.

Quando não há indicação de autor, há duas opções: usar o nome do site como autor (a que eu prefiro) ou colocar a primeira palavra do título em caixa alta, como autor. A ABNT recomenda a segunda, mas a primeira é mais comum. Aqui na disciplina, você pode escolher a que considerar mais adequada. 

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Atas do Comitê de Política Monetária. Banco Central do Brasil, 2022. Disponível em: www.bcb.gov.br/publicacoes/atascopom/04052022. Acesso em: 22 de Junho de 2022.

ATAS do Comitê de Política Monetária. Banco Central do Brasil, 2022. Disponível em: www.bcb.gov.br/publicacoes/atascopom/04052022. Acesso em: 22 de Junho de 2022.

Nesse segundo caso, a chamada seria (ATAS, 2022). No primeiro, seria (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2022).


Leis e outros documentos legais

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm Acesso em: 22 jun. 2017.

BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm Acesso em: 30 jul 2016.


Sobre a autoria:


Embora o formato da ABNT seja a norma nas universidades brasileiras, há diversos outros formatos de referência. Como exemplo, as imagens abaixo mostram os formatos Chicago e APA. Note como não há ponto e vírgula, caixa alta e negrito.

Referências

LEÃO, C. ITR e IPTU: o contraste entre as finalidades sociais e a gestão praticada. Dissertação (Mestrado em Gestão Pública e Sociedade), Universidade Federal de Alfenas, Varginha, 2015.

LÖTSCH, Jörn et al. Machine-learning based lipid mediator serum concentration patterns allow identification of multiple sclerosis patients with high accuracy. Scientific Reports, v. 8, 2018.

PEREIRA, M. Sistema de resseguro brasileiro e americano: necessidade de convergência. Revista da Faculdade de Direito da UFRJ, n.23, 2013.

REZENDE, F. et al. Previsão de dificuldade financeira em empresas de capital aberto. Revista Contabilidade & Finanças, v. 28, n. 75, 2017.

SOUZA, I. O que é Marketing de Influência e como ele pode ajudar a sua estratégia digital? Rock Content, 2018. Disponível em: rockcontent.com/br/blog/marketing-de-influencia Acesso em: 06 de outubro de 2022.

WIKIPEDIA. Sobre os ombros de gigantes. Wikipedia, 2022. Disponível em: pt.wikipedia.org/wiki/Sobre_os_ombros_de_gigantes Acesso em: 06 de outubro de 2022.