Tipos de pesquisa

Como ilustrado na figura abaixo, há cinco tipos básicos de pesquisa: pesquisas de revisão,teóricas, qualitativas, quantitativas e estudos de caso.

diagrama dos tipos de pesquisa

Essas não são categorias estanques. É comum que um trabalho combine elementos de diferentes tipos.

A primeira distinção é aquela entre trabalhos de revisão e trabalhos originais. A revisão de literatura consiste em reunir trabalhos que já foram feitos sobre determinado assunto, analisando as diferenças e semelhanças entre eles, tentando resumir o que já se sabe sobre aquela área. Na verdade, todos os artigos devem incluir uma revisão de literatura em algum ponto do texto (também chamada de "revisão bibliográfica" ou "referencial teórico"). No entanto, algumas pesquisas se concentram em fazer uma revisão abrangente e detalhada de determinado assunto. Essa é uma tarefa muito trabalhosa e muito valorizada porque exige compreender uma grande quantidade de pesquisas.

A próxima distinção é aquela entre os diferentes tipos de pesquisas originais: os trabalhos teóricos e os trabalhos empíricos. Os trabalhos teóricos se concentram em analisar conceitos, ideias, definições etc., enquanto os trabalhos empíricos são aqueles que se baseiam em informações sobre o que já aconteceu, os dados ("empírico" se refere ao que foi vivido). Por exemplo, uma análise sobre o que define um país desenvolvido é um estudo teórico, mas uma análise da quantidade de demissões em Minas Gerais no último ano é um estudo empírico.

Você provavelmente já ouviu as pessoas fazerem a distinção entre teoria e prática (ou empiria, o que é empírico). Por exemplo, "na teoria, o Brasil deveria ganhar a partida, mas é preciso ver o que vai acontecer na hora do jogo" ou "depois de assistir cinco vídeos no YouTube, eu já sei fazer bolo de cenoura na teoria, agora é preciso ver na prática se eu realmente sei fazer".

Nem sempre há uma separação rígida entre esses tipos de pesquisa. É comum os trabalhos empíricos fazerem algum tipo de análise conceitual, assim como é também comum que os trabalhos teóricos façam algum tipo de análise de dados. Um artigo pode começar detalhando as diferenças de rentabilidade entre diferentes tamanhos de empresa e terminar discutindo como definir se uma empresa é familiar ou não.

Matemática e Direito são exemplos de ciências predominantemente teóricas, ao passo que Medicina e Agronomia são ciências muito empíricas. Ciências Contábeis, Ciênciais Atuariais, Economia e Administração Pública possuem áreas teóricas, áreas empíricas e áreas mistas.

A distinção entre pesquisas teóricas e empíricas tende a se alinhar com a diferença entre dois tipos de raciocínio, dedutivo e indutivo. Os estudos teóricos normalmente são dedutivos, isto é, partem de uma regra geral para explicar casos específicos, enquanto os estudos empíricos são indutivos, quer dizer, tentam chegar a uma regra geral a partir do estudo de casos específicos.

Tanto os trabalhos matemáticos quanto os trabalhos jurídicos são exemplos de trabalhos teóricos. Partindo da definição de que o triângulo é a figura geométrica de três lados, os matemáticos tiram certas conclusões sem precisar medir nenhum triângulo real (empírico). Da mesma maneira, os juízes e advogados discutem qual é a melhor interpretação de certo artigo para fazer com que ele seja consistente com o restante da Constituição Federal, pressupondo que tudo o que está na Constituição é verdadeiro. Também é dessa maneira que boa parte das teorias econômicas são discutidas: partindo-se de certos pressupostos sobre os agentes econômicos e o funcionamento de determinado mercado eles tentam demostrar que alguns acontecimentos são mais prováveis do que outros ou que certas ações do governo são mais adequadas do que outras.

O movimento no raciocínio indutivo, e nos trabalhos empíricos, é inverso: cientistas fazem experimentos com ratos em laboratório para tentar prever o que vai acontecer com outros seres vivos, incluindo humanos. Eles estão estudando um caso específico, mas com o objetivo de fazer uma generalização, a identificação do que é válido para todos os casos de um mesmo tipo de acontecimento. É o caso do engenheiro que testa protótipos de aviões em túneis de vento, de agrônomos que estudam partes de uma lavoura e de quem faz pesquisas de opinião para presidente com apenas 2.000 pessoas tentando prever como 140 milhões de eleitores votarão.

Portanto, enquanto os estudos empíricos buscam identificar regularidades nos dados sobre o que já aconteceu (p. ex. quanto tempo as empresas sobrevivem em média em Varginha), os trabalhos teóricos tentam encontrar melhores definições de certos conceitos ou as classificações mais adequadas para determinados fenômenos (por exemplo, o que é uma empresa familiar ou quantos setores econômicos existem).

A última divisão importante entre os tipos de pesquisa é entre três tipos de pesquisas empíricas. Os estudos quantitativos reduzem os acontecimentos a números e usam a estatística para analisar esses dados. Eles fazem isso para ganhar em poder de generalização. Por exemplo, quantas pessoas se endividaram por irresponsabilidade financeira? Por outro lado, os estudos qualitativos buscam captar como determinadas pessoas percebem o mundo, como é o mundo visto do ponto de vista dessas pessoas. Isso normalmente é feito analisando como as pessoas falam sobre as suas experiências. Eles fazem isso para ganhar em profundidade: a descrição detalhada de como as pessoas organizam em seu íntimo o que aconteceu com elas.

Os estudos quantitativos em ciências sociais normalmente se baseiam na aplicação de questionários com respostas fechadas, individuais e sem interferência do pesquisador. Por exemplo, avalie seu estado de saúde em uma escala de 1 a 5 (de completamente insatisfatório a completamente satisfatório). Já os estudos qualitativos normalmente usam questionários com respostas abertas (entrevistas semi-estruturadas) ou mesmo entrevistas sem perguntas pré-definidas ("entrevistas em profundidade"), sem necessariamente usar as mesmas perguntas para todos os entrevistados.

Por fim, os estudos de caso se dedicam a descrever e analisar um objeto específico (uma empresa, um órgão do governo etc.), realizando análise documental (descrição e resumo de documentos) e podendo empregar combinando metodologias quali e quantitativas.

Como foi dito no início desta seção, as três distinções (pesquisas de revisão e originais, teóricas e empíricas, quantitativas e qualitativas) não são rígidas, é comum que os artigos contenham aspectos de categorias diferentes. Os estudos históricos e os estudos de caso (quando o pesquisado analisa um caso específico) são exemplos de como esses tipos se misturam na prática. Eles constroem teorias, usam dados quantitativos e entrevistas abertas, mas também usam a pesquisa documental, isto é, a consulta a documentos como testamentos, certificados, livros contábeis etc.

Técnicas de coleta de dados

Os grupos focais são situações em que várias pessoas são entrevistadas ao mesmo tempo e são estimuladas pelo entrevistador. A etnografia é o tipo de pesquisa em que o pesquisador estuda sua própria experiência. Por exemplo, quando vão viver por um tempo em uma clínica de dependentes químicos.